sábado, 20 de dezembro de 2008

Um raio de sol

Era para ser mais uma terça-feira qualquer,
Em minh’alma a tristeza chovia suas lágrimas
Deixando o sol exterior do mundo isolado,
Assim como as outras pessoas.

Sem prestar a atenção em nada,
Vaguei pelas ruas até chegar ao meu destino,
Num determinado ponto, numa determinada hora,
Eis que um raio de sol brilhou para mim.

Não, não era um raio de sol qualquer.
Foi um raio de sol que sorria para minha tristeza invernal
Dissipando as lágrimas e fazendo brotar os sorrisos.
Como aconteceu eu ainda não sei.

O meu raio de sol tem um nome.
O meu raio de sol é um anjo.

Um anjo enviado dos céus para arrancar a tristeza que em mim residia
Um anjo que me fez compreender o valor dos pequenos gestos
Um anjo que tem tornado meus dias lindos.

Tu és brisa leve da primavera misturada com a densidade do verão
Tu és manhã de sol com a cor púrpura da doce aurora.
Tu és o mais belo sentimento que reside em mim,
Pobre inverno que se dissipa ao ver-te.

Teu abraço me conforta e faz crer que o mundo pode ser melhor,
Teu sorriso me ilumina e irradia uma felicidade que me contagia
Tua voz é sinfonia para meus ouvidos
Assim como teu olhar é um mar em que me perco.

Sem tudo isso o mundo não tem cor, não tem graça
Sem tudo isso os dias se tornam monótonos
O melhor é saber que existes, sim, tu existes,
E existes para mim.

De nada adiantariam essas palavras se não fossem para ti.
De nada adiantariam as estações do ano, a grandeza do céu e a imensidão mar,
Se eu não pudesse enxergar em ti todos eles.
Estes breves versos são teus,
Meu raio de sol, meu anjo, meu amor...!

O Porto desespero

Minha alma congela no porto em que me deixaste
Seria esse o meu fim?
Não! Eis que meu fim se dará quando, tu,
pegares o barco e foste embora dizendo-me
Que a mim, somente a mim, não quer mais...

A dor que se expande entre os vastos corredores
Não é nada comparada ao frio que me congela
Gritos, uivos, sussurros
Não, eles não existem...Sou apenas eu, o porto e a solidão
O grito vindo da dor dilacera o silêncio
Que jamais fora presenciado por alguém
Esse silêncio residente em minha alma
Quebra e ao longe escuta-se
Algo caiu...algo rompeu...meu pranto, finalmente,
meu pranto rolou...

Foge meu anjo, foge, pois a ti não quero ver sofrer
Não a ti que por deveras vezes salvou a mim
Pobre sejais! Pobre Sejais!
Ao longe, vosso pranto se faz ouvir....
O meu ainda reside, novamente, em silêncio sem fim

Eis-me aqui, nesse porto desespero,
O desespero surdo, o desespero inerte
A aflição me acomete
Os caminhos..quiçá eu ousar em segui-los
Só há espinhos!
Espinhos residentes no inverno que está em mim

Mas, eis que vejo-vos!
vieste me resgatar, trazer doce primavera infantil!
O Sol voltará a brilhar, apenas no dia, em que teu barco
aportar no meu porto desespero e trouxer meu anjo
A salvo junto com o teu amor.

Contudo, arrefeço-me, pois
No momento sou eu, o porto e a solidão
Inertes esperando a tua chegada!