Minha alma congela no porto em que me deixaste
Seria esse o meu fim?
Não! Eis que meu fim se dará quando, tu,
pegares o barco e foste embora dizendo-me
Que a mim, somente a mim, não quer mais...
A dor que se expande entre os vastos corredores
Não é nada comparada ao frio que me congela
Gritos, uivos, sussurros
Não, eles não existem...Sou apenas eu, o porto e a solidão
O grito vindo da dor dilacera o silêncio
Que jamais fora presenciado por alguém
Esse silêncio residente em minha alma
Quebra e ao longe escuta-se
Algo caiu...algo rompeu...meu pranto, finalmente,
meu pranto rolou...
Foge meu anjo, foge, pois a ti não quero ver sofrer
Não a ti que por deveras vezes salvou a mim
Pobre sejais! Pobre Sejais!
Ao longe, vosso pranto se faz ouvir....
O meu ainda reside, novamente, em silêncio sem fim
Eis-me aqui, nesse porto desespero,
O desespero surdo, o desespero inerte
A aflição me acomete
Os caminhos..quiçá eu ousar em segui-los
Só há espinhos!
Espinhos residentes no inverno que está em mim
Mas, eis que vejo-vos!
vieste me resgatar, trazer doce primavera infantil!
O Sol voltará a brilhar, apenas no dia, em que teu barco
aportar no meu porto desespero e trouxer meu anjo
A salvo junto com o teu amor.
Contudo, arrefeço-me, pois
No momento sou eu, o porto e a solidão
Inertes esperando a tua chegada!
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