Ela acordou cedo como de costume. Tomou seu desjejum e foi para o trabalho. No escritório, em frente ao monitor, parou para pensar uns minutos e sentiu que algo mudou desde a noite passada. Era sensações incomuns. Aquele encontro fizera bem para ela? Por que o incomodo? Por que aquela sensação?
O fato era o de que Carla não conseguira dormir desde que conhecera aquela menina. No auge de seus 32 anos, jamais pensara em ter filhos algum dia. Sentia a plena juventude de uma adolescente de 17 anos. Não queria se prender, por isso, não casou, o que dirá ter filhos! Não! Era um absurdo pensar naquele "serzinho" levantando as mãozinhas para ela. Sorriu por uns instantes. Seu chefe a trouxe de volta à realidade.
Em meio aos relatórios, propostas, processos, ela não conseguia mais imaginar a sua casa tão vazia. Vazia em termos, uma vez que seus amigos eram figuras presentes e as festas também. Era uma mulher bem sucedida na vida. Mas, faltava alguma coisa. Melhor: agora faltava uma coisa. Ela não queria admitir que sabia o que era. Ela preferia fechar os olhos e imaginar as festas, as confraternizações, as noites em claro, enfim, qualquer outra coisa que não dissesse respeito ao "serzinho".
Tentou concentra-se novamente. Inútil. Ligou para duas amigas, procurou almoçar tranquilamente. Porém, não se continha. A todo momento pensava no que poderia ser a sua vida com aquele pequeno ser. Por horas ela pensou. Decidiu-se.
Saiu às pressas do escritório e correu para o mesmo local do dia anterior. Nunca na vida atingira o limite de velocidade permitido naquela via. Hoje foi diferente. Quase levou uma multa. Enquanto dirigia, um sorriso lhe cobria o rosto.
Chegou. Coração batendo forte. Pediu permissão para entrar e perguntou pela "criaturazinha". Antes que pudesse terminar a pergunta, a "criaturazinha", ao vê-la, correu em disparada, abriu os bracinhos e a abraçou com toda a força que lhe era permitida. Carla fechou os olhos, sorriu e a apertou. Todos estavam comovidos com aquela cena. Carla, enfim, sabia o que o futuro lhe reservava. Quando todos acharam que a cena já havia acabado, o "serzinho" olha profundamente para a "adulta", expressa um sorriso e, singelamente, diz "mamãe". As barreiras da "adulta" se desfizeram. Então, ela soube o que estava lhe faltando. Ela queria uma família para chamar de "dela". E o "serzinho" era só o começo para a grande transformação que a sua vida teria. Carla nunca mais seria a mesma.
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