domingo, 12 de setembro de 2010

Um tempo chamado UFRJ

No iTunes a música CLOCKS toca e, de repente, eu me transporto para um tempo não muito distante. Um tempo em que eu comecei todas as mudanças em minha vida. Um tempo chamado UFRJ. Nos poucos minutos que a música leva para terminar, consegui reviver 4 anos e meio. Sorrisos, aflições, choros, abraços, ansiedades, festas, enfim, tudo. Já não sou mais quem eu era. Já não reconheço aquela pessoa de antes. Não me vejo mais com todos aqueles atos. Menina jovem, boba, sem preocupações. Minto! A única preocupação era rever todos os amigos semanalmente. Fácil de se enganar. Adolescente. Mal estava começando a minha vida. Escondia-se atrás de uma máscara. Era nova.

Era o primeiro dia de aula. Não sabia exatamente o que me esperava, além do famoso trote. Senti-me leve e muito alegre ao ser pintada dos pés à cabeça. Foi divertido pedir dinheiro na rua. O que eu não sabia era que ali estava começando uma fase nova, difícil e de auto-afirmação na sociedade. Profissão difícil a minha. Ser professora nos tempos de hoje exige muito mais do que se pensa. (Ou não).

Durante todos esses anos, encontrei pessoas que levarei para a minha vida toda e outras que fiz questão, por vontade própria, de deixar pelo caminho. Destas, não guardo coisas boas. Guardo lembranças de um passado remoto com elas. Algo longuíquo que não mais me pertence. Em minhas lembranças, estas pessoas só retornam após um esforço demasiado de minha memória. Tenho pena do meu cérebro.

As mudanças em si, começaram a partir da segunda semana de aula. Preocupações, estudos, choppadas. Esse era o meu novo universo. Minha vida social, antes ampla, agora começava a estreitar-se de uma maneira não pretendida. Passei a trabalhar. No campo "vida social", quase não havia tempo hábil para nada. Deprimia-me a mim está situação. Estava presa em um casúlo. Sem sarcasmos, eu sairia dali uma borboleta.

As coisas mudaram de fato, após a minha viagem para São Paulo. Quando regressei ao Rio, já não era eu mesma. Decidida. Estava disposta a muda tudo. Entretanto, mudei forçosamente por questões pessoais da faculdade. Eu estava no meio de um turbilhão de sentimentos e não sabia. Pessoas espalhavam a minha vida pessoal tal qual a água se esvai pelo ralo. Estava exposta como uma fratura. Amedrontada. Coisa que raramente me acontecia. Sempre fui muito reservada e naquele momento, um quarto da faculdade sabia mais da minha vida do que de mim. Triste fato. Estas pessoas fiz questão de esquecer e retirá-las do meu convívio. Foi a melhor coisa que fiz. Nos anos seguintes, poderia dormir feliz e sem a rude presença delas.

Muita coisa mudou. Todos te julgam pelo teu comportamento e pelo estereótipo. Já que é assim, que assim seja. Mudei o visual. Cortei os cabelos bem curto, passei a vestir as roupas que me agradavam. Deixei toda aquela visão tosca de adolescente de lado e comecei a crescer. Questões maiores me preocupavam. Até o rumo do meu trabalho mudou. Sentia como se a vida fosse retirada de mim a cada dia trabalhado. Meu trabalho não valia a pena. Gente comendo gente, literamente. A vida me nocauteava a cada momento. Estava em um ring e não sabia. Em três rounds, beijei a lona.

Um deles, o primeiro e maior, a morte de minha madrinha. Jamais me recuperei. O Fundão foi meu maior companheiro. As bebedeiras e os vários cafés no Burguesão também. Tirando a morte dela, os outros eventos configuram-se momentos maravilhosos nas lembranças.

A melhor coisa que a UFRJ me acrescentou foram as mudanças advindas dos climas vividos na Praia Vermelha. Novas amizades, novas experiências. E eu descobri o meu amor pela UFRJ. Eram os últimos anos da graduação. Fui acolhida numa faculdade nova. E tive oportunidades reais que nunca tivera no Fundão. Extensão, responsabilidade. Literalmente, do casúlo saí. Voei feito uma borboleta liberta pela vida. Não havia mais máscaras, não havia mais as pessoas chatas, não havia mais necessidade de me forçar a esquecer ninguém. Este era o resultade de 4 anos e meio: a transformação de uma adolescente em adulto.

Agora, com novas responsabilidades, sinto falta de todas essas coisas. Acordei com uma certa nostalgia. Nostalgia pesada, densa, corroendo a minha alma e apertando meu coração. Precisava escrever para relembrar todos esses momentos, ainda que alguns ruins. Contudo, precisava deixar escrito que foi na UFRJ que eu me conheci, me encontrei, apaixonei-me por mim e pela minha vida. Sinto saudades...muitas saudades...em breve estarei lá e de volta outra vez...

Apaixonei-me por ti e "fiz da minha vida a minha eterna namorada".

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